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sábado, 22 de março de 2014

No parque.

À minha frente tem uma árvore, eu não faço a mínima ideia de qual seja a sua espécie, mas gosto dela. É pálida e larga pela divisão do tronco logo no começo, não muito alta, o suficiente. Atrás dela tem uma mais fina com seus galhos jogados para o lado, parece que irá girar a qualquer momento num gracioso balé. A terceira na sequência, é mais jeitosa e parece estar sorrindo o tempo todo. Já a primeira não, é reservada e tem um ar de mistério, tão fechada que nem da pra decifrar o que se passa ali.
E tem também o pato na beira do lago. Acorda, levanta, se coça com o bico, bebe água. Dorme de novo, levanta, olha pro lado, bebe água, coça, dorme. Suas patinhas laranjas são um chame que só vendo, parece tão vida boa, mas vá saber de sua rotina por aqui, né? (...) Tem duas formigonas me rodeando faz um tempo, elas são atrapalhadas, mas muito bonitinhas. Este gramado está tão bom!
É, tanta coisa boa pra amar e a gente cisma com as mais complicadas, parece que essas são mais belas interiormente... hm, o mistério que traz a sedução. Como se a árvore pálida e distraída pedisse para eu observá-la de alguma forma, e com isso, me cativa. Talvez eu esteja pedindo pra alguém me observar também, aqui sozinha, em quanto contemplo outro ser. Mas é involuntário, difícil de entender, o oculto chama-nos em silêncio.

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